segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Como vivo de coincidências...

Minha amiga Silvana Tavano havia lincado as voltas de Paul Newman na bicicleta em Butch Cassidy...

http://diariosdabicicleta.blogspot.com/

domingo, 28 de setembro de 2008

sábado, 27 de setembro de 2008

Paul, os olhos azuis

Desde a infância ele foi a minha referência de beleza: os olhos tão azuis como eu nunca vira, o rosto que parecia ter sido esculpido por um grande artista. Ainda hoje olho e não acredito. Não parece verdade.

Os filmes dele sempre estavam na televisão de casa, para deleite de minha irmã, fanática pela estrela de Hollywood e de minha mãe, que a ensinou a paixão pelo cinema.
Também sempre foi a referência de um grande amor: soube cedo do casamento inquebrável dele com a atriz Joanne Wookward, a despeito das loucuras do mundo das celebridades.

Paul Newman era, claro, referência de atuação: sua beleza só acrescentava seu talento. Nos filmes, o ar de cafajeste, quase sempre bandido, unia uma qualidade à outra, para suspiro da mulherada em casa.

Ontem, passamos a tarde vendo uma lista quase infinita de filmes e os dele eram os primeiros a serem lembrados, os mais queridos. Sabíamos da possibilidade da morte, mas não que ela aconteceria no dia seguinte. Resta-nos, agora, rever seus clássicos e atuações, como fazemos desde que me conheço por gente.



Mesmo porque, poucas seqüências me dão tanto prazer de lembrar quanto a dele rodando na bicicleta em Butch Cassidy e Sundance Kid ao som de Raindrops Keep Falling On My Head, com BJ Thomas. E de sua gargalhada, o olhar repleto de charme, o suspiro da minha irmã. Tudo junto, nas boas memórias que a gente guarda bem e usa sempre.







sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Filmes da vida

Assisti estes dias ao Crepúsculo dos Deuses, com o maravilhoso William Holden...
Eu o reencontrei ano passado, quando vi Quando Paris Alucina, em que ele contracena com Audrey Hepburn...

Liguei para a minha irmã, minha cinéfila preferida, e disse:

- Me apaixonei...
E ela disse:
- A mãe também adorava...
E a gente gosta de coisas que nem sabia?
Me lembrou um poema da Alice Ruiz:

Lembra o tempo
que você sentia
e sentir era a forma mais sábia
de saber
e você nem sabia?

sábado, 20 de setembro de 2008

O deslizar

Já passava das onze da noite, li, peguei no sono.
Quando entrava em um daqueles estágios mais profundos (não sei qual...) ouvi um zumzumzuuuuuuumzum. Vi que o barulho vinha da rua. Mau humor. Levantei brava, com raiva de o sono ter sido me arrancado.
Abri a janela com força, cheia de vontade.
Vi o zumzuuumzummmm. Ou algo assim. Não era abelha, claro. Era um garoto.
A cena foi uma das mais lindas que vi na cidade. O silêncio da noite foi interrompido pelo deslizar deste desconhecido pelas curvas da ladeira em que moro.
Zuuuuum zaaaaaaam.
Derrapava e parava.
Com vontade, estava sempre pronto para recomeçar. Pegava o skate nas mãos, subia rumo a mais uma descida solitária. Só dele.
De novo zummmm zaaaaaaaam, derrapava.
Ele não parava de tentar.
Mas não eram tentativas.
O caminho era a diversão, o prazer.
Ele me tirou o sono e me deu a noite. Noite que se misturava à cor da rua.
E deu beleza ao asfalto.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Passos do passado

Incrível estar aqui nas Minas Tão Gerais.
É como dar passos pelo passado: o cheiro do ouro e da gente que morreu por causa dele. O rastro de quem procurou sobreviver, enriquecer. Quem não se importou em explorar. Quem achou que isso era o correto. Até os incofidentes eram contra a escravidão.
Escravidão. Que tipo de loucura foi esta? Que tipo de loucura foi esta que não parecemos nos importar tanto? Que tipo de loucura foi esta que não parecemos nos importar tanto e que aí precisamos visitar museus para lembrar?
E as igrejas? Tanto ouro. Por que a vida valia tão pouco e Deus deveria ser medido nestes minerais?
História que deveria ser contada somente desta maneira.
Assim deveria ser a escola. Os alunos deveriam entrar nas minas, como a que entrei hoje. Sentir o arrepio do medo, as lembranças daquele horror. Tudo em nome de uma raça. Para relembrarmos nossos tempos de Hitler em terras brasileiras. Somos tudo isso.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Minas é Minas...

Da janela lateral do quarto de dormir
Vejo uma igreja, um sinal de glória
Vejo um muro branco e um vôo pássaro
Vejo uma grade, um velho sinal
Mensageiro natural de coisas naturais
Quando eu falava dessas cores mórbidas
Quando eu falava desses homens sórdidos
Quando eu falava desse temporal
Você não me escutou
Você não quer acreditar
Mas isso é tão normal
Você não quer acreditar
E eu era apenas
Cavaleiro marginal lavado em ribeirão
Cavaleiro negro que viveu mistérios
Cavaleiro e senhor de casa e árvores
Sem querer descanso nem dominical
Cavaleiro marginal, banhado em ribeirão
Conheci as torres e os cemitérios
Conheci os homens e os seus velórios
Eu olhava da janela lateral
Do quarto de dormir
Você não quer acreditar, mas isso tão normal
Você não quer acreditar, mas isso tão normalum cavaleiro marginal, banhado em ribeirão
Você não quer acreditar

Vir aqui é entender isso... é estar nesta janela o tempo todo.
Cheiros, sabores, história.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Meu primeiro Mia Couto...

"o sonho é o olho da vida".

Esta é apenas uma das frases que provocam vai-e-volta em Terra Sonâmbula.

Mia parece mesmo deslizar como um gato pelas palavras, brincando como se fosse dono de todas elas. As histórias se entrelaçam, se soltam, se amarram de novo e voltam correndo, independentes. Você tem a sensação de muito, a leveza do pouco.

Sem dúvida um tempo a ser valorizado, a cada virar de página.

Não, isso não é uma resenha.
É um desabafo. E dos melhores.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Generosidade e dualidade

E ela teve de se dividir em duas. Uma se prestava à generosidade sem espera de trocas, sem economizar sorrisos, sem esforço, natural.
A outra, surgiu mais dura e áspera, para que sua parte generosa não se perdesse na ingratidão dos outros.
Tenho como falar sobre o assunto sem ser brega ou até cair no ridículo?
Tenho.
Aprendi isso após assistir A Alma Boa de Setsuan, com a querida Denise Fraga, no Teatro Renaissence. No texto de Brecht, ela e elenco desfilam aos nossos olhos idas e vindas, trapalhadas, tentativas, acertos, enganos, voltas-atrás, amores, amizade. Assim como é nossa vida. Com histórias de perdas e injustiças muito bem representadas e identificáveis, da platéia saí com esperança. E, esperança, como sabem, é uma escolha: ela está sempre ali, pronta para nos dar a mão. Mas, por vezes, insistimos em olhar o outro lado, acharmos que devemos ser forte, que ser enganado é sinal de fraqueza.
Mas não é. Ô, se não é.
E foi o que vi ali. É o que vejo em cada sorriso de criança, em cada “obrigado” na padaria, a cada novo amigo feito, a cada reencontro com antigas e boas memórias. É renovação pura. De quem, sim, às vezes tem de se dividir em duas ou mais para dar conta de si mesma. Mas que adora ver na poesia e na literatura o motivo para generosizar por aí. E não só nos textos. Na poesia e na literatura que vemos todos os dias, nas ruas, nos desconhecidos e nos nossos. E viva a pieguice.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Hoje eu vi literatura...

Uma busca pelas palavras. Puxa pela memória, junta sílabas, sorri sem graça... lembra o nome correto, usa de um jeito diferente e provoca muitas risadas.
Todos riem, mas, no fundo, estão emocionados: quando aqueles olhos brilham, cheio de dúvidas em busca da palavra perfeita, é uma viagem que fazemos em nós mesmos. Já passamos por esta angústia e mantemos esta busca sempre, loucos para acertar, loucos para emocionar, como esta criança, que me deu hoje momentos lindos desta adorável parceria com as letras e sons.
Isto é literatura. A literatura que está sempre a minha volta, letrando, vivendo, sorrindo para mim. Obrigada Olivia.