quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Esses meninos, esses mineiros




Quem assistiu à abertura do Criança Esperança viu Milton Nascimento acompanhado de uma criançada linda e atores e cantores.
Eram dois grupos que me dão sorrisos sempre que os encontro. Falo do grupo Ponto de Partida com os Meninos de Araçuaí.
Quer saber mais deles? Acompanhem esse vídeo que eu e Ricardo Fiorotto fizemos para o site CRESCER.
Emocionem-se.
Mineirizem-se.
Cantem, estejam com eles assim que puderem.
É bom demais!

foto do espetáculo Pra Nha Terra, segundo CD lançado por eles. Veja tudo em www.cpcd.org.br

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Não pode

Não pode abraçar, muito menos beijar.
Melhor não tomar ônibus, nem ir ao cinema. Shopping, nem pensar.
Deixe os teatros para outros meses, quando tudo acabar.
Os amigos, melhor evitar.
Espirrou? Fique em casa.
Tossiu, vire o rosto, não toque em nada.
Gel ultralimpante. Sem hífen, fica mais puro ainda.
O que? Quer voltar às aulas? Está maluco? Criança infecta mais.
Vamos evitar ao máximo. O que? Não sei bem.
A gripe A? Aquela que começou com os porcos. Sujos, não? Fomos "sujados" por eles agora.
Está em toda a parte.
O que conseguimos evitar?
O beijo, o abraço, o aperto de mão no quase desconhecido, o encontro com os amigos, o cinema com as crianças, o aprender junto, o estar junto, essas coisas que fazem da gente ser humano.

domingo, 9 de agosto de 2009

Lewis e suas várias Alices



Apaixonei-me novamente por Alice no País das Maravilhas ao deparar com um verdadeiro sonho, na casa do escritor Ilan Brenman: a versão do mestre do pop up Robert Sabuda sobre a grande aventura escrita pelo inglês Lewis Carroll.
Jamais vou esquecer do que era folhear aquelas páginas em pop up me levando à viagem: uma Alice ficava presa na casa gigante; outra uma espécie de cone sanfonado podia ser puxado para cima e, quando eu olhava para dentro dele, via Alice ali, caindo. Eu me senti no livro.

Tenhos duas versões do livro: uma é a tradução de Monteiro Lobato, lançada pela Editora Companhia Nacional. O que adoro além da versão dele da história é o texto da mestre Nelly Novaes Coelho dizendo o que houve com Lobato quando ele conheceu a obra de Carrol e o quanto podemos pensar em Alice caindo e relacionar com Narizinho em seu primeiro mergulho no Reino das Águas Claras, e também um texto de Lobato, contando ao leitor a importância daquela tradução.

A outra versão que possuo é a feita pelo cineasta Jorge Furtado, lançada pela Editora Objetiva e com ilustrações de Mariana Newlands (muito bacanas, por sinal). Quando li na contracapa que ele havia 'abrasileirado' a história, logo temi que algo poderia me incomodar. Mas ao me entregar à leitura, entreguei-me também ao motivo de Furtado para mexer no texto de Carroll. Ele quis que os brasileiros sentissem o humor e o nonsense de Carroll por nós mesmos, com nossas próprias piadas, se posso dizer assim. O resultado foram gargalhadas inesquecíveis.

Agora estou ansiosa pela versão de Tim Burton, com Johnny Depp como o Chapeleiro Maluco (foto).
No trailer, a emoção, a piração, o nonsense: parece que vamos ver o que lemos. Nada contra a versão da Disney, não sou destas. Mas a dele pode ter o gostinho de 'mais fiel' como a para A Fantástica Fábrica de Chocolate, e Roald Dahl. Desde criança vejo e revejo a versão de Willy Wonka na interpretação de Gene Wilder e isso eu não esquecerei e nem deixarei de ver jamais. Mas também adorei a de Burton, com mais detalhes, outro final. Adoro versões bem contadas, oras!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Favor não abraçar

Imagine você recomendar a uma criança que não abrace tanto por esses dias. Coisa de tempos de gripe.
A loucura que estamos vivendo em nome de algo sem controle, novo, inesperado.
Que tipo de dia a dia podemos ter evitando abraçar, beijar?
Pra onde vai o afeto?
E qual das duas coisas pode ser pior: não pegar gripe ou não abraçar?

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Uma questão de ritmo


O trânsito é uma das loucuras de São Paulo, mas pode ser uma de suas redenções.
É tanta correria sempre. A gente acorda atrasada, toma café enquanto lê jornal, toma banho enquanto pensa na roupa, seca cabelo enquanto traça na mente o caminho mais rápido para o destino chegar.
Depois no trabalho acontecem mais 200 coisas ao mesmo tempo, volta e pega o trânsito. Aqueeele trânsito.
Mas eis a chance.
Parados, temos mais oportunidade de ver a cor nova daquela casa, o bar que abriu naquela esquina, a reforma do prédio, a criança confidenciando algo a mãe, o abraço dos amigos, o beijo do casal.
No devagar, a gente vê o mundo melhor.

foto Cris. Maria Fumaça São João del Rei e Tiradentes

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Se o Paulinho da Viola mandou... por que não?


Ame
Seja como for
Sem medo de sofrer
Pintou desilusão
Não tenha medo não
O tempo poderá lhe dizer
Que tudo
Traz alguma dor
E o bem de revelar
Que tal felicidade
Sempre tão fugaz
A gente tem que conquistar

Por que se negar?
Com tanto querer?
Por que não se dar
Por quê?
Por que recusar
A luz em você
Deixar pra depois
Chorar... pra quê?


(de Paulinho da Viola e Elton Medeiros)
foto maravilhosa de Elliott Erwitt

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Um mês depois

O blog ficou só, há um mês.
Que utilidade tem um blog se ele não ganhar palavras diariamente?
Que utilidade as palavras têm se não tiverem sentido quando juntas?
Escrevo para me libertar e me pego aqui, aprisionada pela obrigação.
Não caio.
Escrever não é chatice, como destacaram frase do Chico Buarque nesta Flip.
Mas escrever não é só sentar e criar.
Escrevo com pensamentos, o dia todo. Monto frases, pinço ideias no viver.
Se as histórias acontecem à nossa volta, então escrevo a cada segundo.
E amo.
Das 26 letras, um mundo de ideias.
De zilhões de ideias, as escolhas, nós ali por meio delas.
Nos transparemo-nas.
E trocamos. Mas nunca finalizamos.