terça-feira, 7 de outubro de 2008

O menino que tinha mãe suspiro e pai cambalhota

Gustavo caiu na tigela de suspiros. Não, nada disso. Quem caiu foi Virgínia, da Marina, e na xícara de leite.
Gustavo estava cavocando a tigela de suspiro em busca da mãe. Ele tinha uma mãe-suspiro.
Muito desligada e doce – como qualquer mãe-suspiro – ela sempre deixava Gustavo preocupado. Depois do lanche, onde teria ela se metido?
Só mesmo o pai-cambalhota para encontrá-la. Sim, ele também era filho de um pai cambalhota. Alegre, dando voltas sem parar, o pai cambalhota levava a vida aos giros, no maior pique.
Atrapalhado em busca da esposa, o pai cambalhota tropeçou e rolou tigela de suspiro abaixo.
Gustavo, que era preocupado, mas não mal-humorado, caiu na gargalhada, daquelas que só um pai cambalhota pode provocar.
A mãe-suspiro, sempre distraída, foi pega de surpresa. Mal se deu conta de que estava perdida, pegou o marido rodando sem parar e o filho em lágrimas de tanto rir. Achou a cena tão estranha quanto engraçada e se pôs a girar e rir, como uma família unida adora fazer.
Só que o pai cambalhota não conseguiu segurar as próprias voltas e caiu por cima da mãe suspiro que virou quase uma paçoca. Mas não era esmagamento. Era abraço.

(para a Luciene e Gustavo, o filho poeta)

11 comentários:

Petê disse...

Me diverti com as imagens do pai cambalhotante e a mãe suspirosa. Muito gostoso, Cris.

Beijo

SADY FOLCH DE CARDONA disse...

Cris, me senti num circo, envolvido por crianças e brincadeiras, e me peguei às gargalhadas junto ao palhaço que nos contava essa história.
Lindo...obrigado
Sady

MALU, SIMPLES ASSIM disse...

Que bagunça deliciosa!
Bjs.

GUILHERME PIÃO disse...

Poxa, bela definição dos pais, os meus eram assim...
Primeira vez que venho aqui, gostei muito.
Parabéns

Ricardo Fiorotto disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Ricardo Fiorotto disse...

Adorei a história e como vc a reescreveu, está linda!
E é engraçado ter um comentário de um Guilherme "Pião". Nada mais justo ele ter um pai cambalhota também, com esse sobrenome só podia ser assim! hehehe
beijo

Silvana Tavano disse...

Aquelas idéias meio soltas de um tempo atrás acabaram dando a cambalhota completa. Ficou uma delícia a sua história, Cris!

Laura Fuentes disse...

Bagunça deliciosa, abraço apertado de fazer mãe-suspiro virar passoca. Isso é amor, isso é familia, isso é alegrar o meu dia.

may shuravel disse...

Cris,que lindo texto.Adorei a mãe-suspiro.
beijo
may

Luciene Gutierrez disse...

Cris,
Que emoção resgatar essa história...morri de saudades!
Anos depois, a mãe suspiro continua doce, o pai cambalhota dando voltas e muitos
pulos e o Gustavo, num misto de amor e bom humor, leva uma vida muito alegre.
Em resumo, uma família feliz e com o coração cheio de amor vermelho...lembra? rs

Luciene Gutierrez disse...
Este comentário foi removido pelo autor.