quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Exatamente como ele queria

Tudo já estava sendo preparado havia horas quando ele chegou. De baixo para cima, olhou para aquele cenário de quatro cores e deu um sorriso. “Tá bonito”. Por mais que tivesse ele mesmo pedido o tema – o Brasil – não quis fazer parte da decoração: para vestir em sua festa recusou a roupa ‘a caráter’ e optou por um conjuntinho de xorte e camiseta já usados. Muito mais confortável. Afinal, o dia era dele e só estava começando.
De pés descalços, começou a explorar tudo. “Preciso de amêndas”, dizia ele reforçando tonicamente o “me” e enchendo a mão de amendoins coloridos. A todo o momento, repetia a quem se confundisse: “Hoje não é o meu aniversário. É só a festinha”.
As pessoas foram chegando e os presentes também. Aos poucos, ele foi se dando conta de que aquilo tudo poderia ser ainda mais divertido. Um game eletrônico o entreteve por vários minutos. Sem pilhas, usava a imaginação para não perder a brincadeira: “Essa é a minha festa e eu posso controlar tudo”, ria de si mesmo da fantasia que ele criou.
Com tanta variedade de pessoas e brinquedos, eis que chega um robô de montar. “Era exatamente o que eu queria”, confessou o pequeno a mim. Dali em diante, parte para o lúdico possível ao se juntar uma idéia de alta tecnologia – um robô – com a mais simples das brincadeiras: encaixar.
Sem ninguém dizer a ele o que fazer, livremente aproveitou o espaço todo. Corria, saltava, nada escapava ao seu olhar. Sim, ele era o aniversariante e tinha o poder de, vez ou outra, apenas caminhar pela festa sozinho, num vai-e-volta de descanso que só eu observava. Tempo suficiente para notar o céu, que se riscava de rosa e laranja, oferecendo – como um presente - um belíssimo fim de tarde especialmente para o João.

Um comentário:

luisa disse...

corujamente falando: no mínimo encantador!
parece q cada vez que escreve este texto ele fica mais gostoso!
bjs de uma mãe orgulhosa