sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Sustenbilida... o quê?


Eu também sou aquela que passou a separar o lixo e reparar mais no dia a dia consumista tardiamente. Se bem que minha mãe nunca me deixou desperdiçar água e não era simplesmente para pagar menos a conta: ela tinha lá uma consciência de que isso poderia dar errado no futuro. Acho que era uma apaixonada por água mesmo.
Por mais que eu pense e tenha as tais atitudes ecologicamente corretas, não tenho nem por que me gabar. Se isso que faço é o mínimo que eu poderia estar fazendo pelo planeta, então eu nem vou contar para muita gente (tudo bem que isso aqui é um blog, mas...), ou eu nem vou ficar falando que sou o máximo por isso.

Meu ponto é uma ótima entrevista que acabo de ler na Folha de S. Paulo:
Para especialista, nova classe C ignora sustentabilidade
Fábio Mariano, da ESPM, diz, porém, ser absurdo que empresas repassem custo verde a consumidor

RICARDO MIOTO
DA REPORTAGEM LOCAL

Mais da metade dos brasileiros já fazem parte da classe C, que engloba famílias com rendas mensais entre R$ 1.000 e R$ 4.500, aproximadamente. Em seis anos, 20 milhões subiram para esta faixa -e o fluxo continua. É gente descobrindo como é bom consumir, mas que não se preocupa muito com o planeta, diz Fábio Mariano, professor da ESPM e sócio da consultoria de comportamento do consumidor InSearch.



FOLHA - A classe C pensa em consumo responsável ou só quer preço?
FÁBIO MARIANO - Ninguém se importa só com o preço. A classe C, por exemplo, vai ver quanto os eletrodomésticos consomem de energia. Mas porque ela está preocupada com a carteira, não com o mundo.

FOLHA - Então a nova classe média não quer saber, digamos, se a carne que compra vem da Amazônia?
MARIANO - Estas pessoas, que até 2000 chamávamos de excluídos, agora estão ganhando uma grana legal para fazer a festa no shopping. E há também o grande boom, que é a expansão do crédito. Mas só isso não adianta. A educação que recebem não está melhor. E precisa ter um certo aparelhamento pessoal para entender o conceito de sustentabilidade.

FOLHA - Mas os mais instruídos pagam mais por produtos verdes?
MARIANO - A classe alta até paga um pouco mais por produtos que favoreçam a sustentabilidade, mas ainda é pouco. Mesmo porque não existem muitos produtos assim no mercado. Você consegue citar dez? E, quando existem, a distribuição é restrita, não é algo disponível para as pessoas da classe C. Vai querer que peguem o ônibus para ir comprar no bairro rico?

FOLHA - Você não considera justo que o custo da sustentabilidade sobre para o consumidor, então.
MARIANO - Não. Repassar o custo da sustentabilidade é absurdo. Essa imagem de que o consumidor que quer pagar mais é consciente, enquanto o que não quer é um assassino que pretende acabar com o mundo... Vocês deliraram, né?

FOLHA - Poucos consumidores parecem pressionar as empresas...
MARIANO - Só os mais esclarecidos. Porque o consumidor tem um monte de problemas. Tem câncer, Aids, é chifrado, tem de pagar a escola do filho. Vai ter que se preocupar também com salvar o mundo quando a esposa está precisando de um medicamento? Querer que o consumidor, além de tudo, pague cinco reais numa ecobag no supermercado? Empresa que cobra ecobag não tem vergonha.


Eu adorei isso. A gente não tem a menor noção do que está pregando. Ao invés de criticar e olhar feio para o desperdício dos outros, temos é que fazer mais. Pegar nossa culpa de quem tinha a informação, de quem curtiu à beça o lançamentos dos descartáveis, etc e que agora resolveu fazer algo e continuar a viver assim até que isso seja tão natural que este post fique completamente obsoleto.
Isso é o que eu desejo para o ano que começa e os outros que ainda virão: menos dedo no nariz dos outros e mais consciência.
Não podemos deixar tudo nas "mãos" do Wall-E, não?

2 comentários:

isaacoliveira disse...

Oi, Cris.
Adorei seu blog. Havia acabado de ler a mesma matéria da Folha.
Estou elaborando um projeto na área de sustentabilidade e é muito bom ver espaços na internet com conteúdos inteligentes sobre o tema.
Até me animo em voltar a escrever em meu blog. :)
Aproveitando, um excelente 2010!
Isaac.

MALU, SIMPLES ASSIM disse...

Hey ya, Cris
Superlegal essa entrevista, tudo a ver! É por isso que parei de comer carne - um mínimo de sacrifício pelo meio ambiente não faz mal ao ninguém.
A propósito, coloquei um vídeo pra vc no meu blog!
Beijos.