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terça-feira, 7 de outubro de 2008

O menino que tinha mãe suspiro e pai cambalhota

Gustavo caiu na tigela de suspiros. Não, nada disso. Quem caiu foi Virgínia, da Marina, e na xícara de leite.
Gustavo estava cavocando a tigela de suspiro em busca da mãe. Ele tinha uma mãe-suspiro.
Muito desligada e doce – como qualquer mãe-suspiro – ela sempre deixava Gustavo preocupado. Depois do lanche, onde teria ela se metido?
Só mesmo o pai-cambalhota para encontrá-la. Sim, ele também era filho de um pai cambalhota. Alegre, dando voltas sem parar, o pai cambalhota levava a vida aos giros, no maior pique.
Atrapalhado em busca da esposa, o pai cambalhota tropeçou e rolou tigela de suspiro abaixo.
Gustavo, que era preocupado, mas não mal-humorado, caiu na gargalhada, daquelas que só um pai cambalhota pode provocar.
A mãe-suspiro, sempre distraída, foi pega de surpresa. Mal se deu conta de que estava perdida, pegou o marido rodando sem parar e o filho em lágrimas de tanto rir. Achou a cena tão estranha quanto engraçada e se pôs a girar e rir, como uma família unida adora fazer.
Só que o pai cambalhota não conseguiu segurar as próprias voltas e caiu por cima da mãe suspiro que virou quase uma paçoca. Mas não era esmagamento. Era abraço.

(para a Luciene e Gustavo, o filho poeta)