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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Minha paisagem


Desta janela eu vi Ouro Preto.
Mas vi mais.
Deburaçada nela vi o cheiro do telhado molhado de chuva.
Senti o perfume do amor tocar meu rosto, em forma de vento, fazendo vez de nuvem.
Foram alguns dos tantos minutos naquela janela.
Mas a foto me trouxe ela para sempre.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Está lá fora

Na minha cozinha há um vitrô que, mesmo um pouco estreito, permite que eu olhe por ele. Como dá para as costas do meu prédio, consigo ver pouco mais do que uma fileira de telhados, alguns prédios, varais.
Vez ou outra, tenho a sorte de ver passarinhos.
Aconteceu ontem. Um bem-te-vi foi enfeitar as antenas de TV.
Muitas pessoas reclamam que em São Paulo não vemos mais nada além de prédios e de tons de cinzas.
Mas será mesmo que elas olham pela janela?

domingo, 7 de dezembro de 2008

Pela janela de trás

Quando eu era criança, era proibido abrir a janela de trás dos poucos carros quatro portas que em que eu circulava. Era perigoso. Mas era uma chance deliciosa e então eu apenas sonhava com ela.
Adoro janela. Ver as pessoas nas ruas, imaginar seus destinos, suas histórias. Por isso sempre preferi ônibus a metrô. O metrô não me deixa ver histórias.
Agora existe um recurso. Os vidros de trás dos quatro portas abrem somente até uma determinada altura. É proibida a olhada de uma criança mais do que aquilo.
Mas esta semana vi uma resistente.
Ela tinha uns quatro anos e estava lá, diante de sua limitação de janela.
Mesmo à noite, mesmo perigoso, mesmo com a violência, mesmo com aquele vento gelado, ela estava lá, de ponta de nariz na janela.
O vento vinha forte, ela fechava os olhos. Mas só por milésimos de segundos. Suas piscadelas não podiam impedi-la de ver as histórias.
Os pais, nos bancos da frente, também tinha suas janelas abertas. Mas estavam mais envolvidos com suas próprias histórias.
A menina queria mais. E viu.