sexta-feira, 20 de agosto de 2010


Tem vermelho que some no meio de tanto cinza. Mas este teima em aparecer, para ter chance de amar e se renovar todos os dias, ainda bem.
Como diz uma amiga minha bem novinha, que talvez ainda não saiba muito sobre o amor, mas já entende muito da vida: "é um sonho que existe!".

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Eu amo esse Manoel

Poesia é voar fora da asa.

Manoel de Barros

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O futuro espera

Ele fica lá a nossa espreita.
Muitas vezes cobra como uma mãe comandante.
Outras, sorri como um sábio que vê seu aprendiz chegar aos limites, enfrentá-los e se preparar para os próximos.
É um peso olhar para ele. Muitas expectativas, sonhos, sorrisos. Está tudo nele.
Quero preenchê-lo.

domingo, 8 de agosto de 2010

vida-morte-vida

A espera, a angústia, a incerteza, a espera.
Lembranças de tempos com muito tempo, de outras ideias, importâncias.
Dá saudade. A gente acha graça de tudo. Relaciona os fatos, pensa sobre tudo. Quando a gente é criança, os pensamentos voam de jeito diferente. Quando eles voltam na gente já adulto, têm uma velocidade lenta, se encaixam. Se fazem sentido. Nos fazem sentido. E nos fazem como somos.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Piloto salva a vida dele, tripulação e 171 passageiros. Mas e a daí??

Acabo de ler na Folha que um voo da TAM poderia ter terminado em tragédia ontem: tinha uma outra aeronave no meio do caminho.


Voo da TAM faz manobra para impedir colisão no ar
Equipamentos de bordo apontaram que havia outra aeronave na rota

Avião se aproximava de Congonhas com 171 passageiros; Infraero diz que posto médico não atendeu ninguém

ANDRÉ MONTEIRO
DE SÃO PAULO

Uma aeronave Airbus A320 da TAM teve de realizar uma manobra ontem no início da noite ao se aproximar do aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo) para desviar de uma outra aeronave, que não foi identificada.
Segundo a TAM, o comandante do voo JJ-3717, que vinha de Brasília para São Paulo, teve de fazer uma "manobra evasiva" após os "equipamentos de bordo terem detectado a presença de outra aeronave na mesma rota".
Ainda de acordo com a companhia, "o comandante seguiu os procedimentos de segurança prescritos para essas circunstâncias". Os passageiros, segundo a TAM, foram informados e desembarcaram em segurança às 18h48, como estava previsto.
A Infraero, que administra Congonhas, confirmou que o pouso ocorreu nesse horário sem problemas e que não foi informada de nenhum incidente envolvendo o voo.
O avião estava lotado, com 171 passageiros a bordo. De acordo com a Infraero, o posto médico do aeroporto não realizou nenhum atendimento a passageiro da TAM.
Um dos passageiros era o senador Romeu Tuma (PTB-SP). Ao portal de notícias G1 ele disse que o comandante informou que teria de fazer uma manobra ríspida e que a aeronave "afundou em direção ao chão e deu uma balançada". Ele afirmou ainda ao portal que houve gritaria e que tudo "foi muito rápido".
De acordo com Ronaldo Jenkins, diretor do Snea (Sindicato Nacional das Empresas Aéreas), o mecanismo que fez o avião desviar é o TCAS, sistema que indica ao piloto que direção tomar em caso de risco de choque.
Em nota na noite ontem, o Comando da Aeronáutica informou que "já iniciou a investigação" para apurar as causas do incidente.



Cadê o nome do piloto????? Se a nota está correta, ele fez o que devia fazer. Merecia palmas. Será que alguém tentou ser identificado? E isso não deveria ser a manchete principal???? A notícia é boa... ah, tá.

sábado, 8 de maio de 2010

A palavra

Palavras não são más
Palavras não são quentes
Palavras são iguais
Sendo diferentes
Palavras não são frias
Palavras não são boas
Os números pra os dias
E os nomes pra as pessoas
Palavra eu preciso
Preciso com urgência
Palavras que se usem
em caso de emergência
Dizer o que se sente
Cumprir uma sentença
Palavras que se diz
Se diz e não se pensa
Palavras não têm cor
Palavras não têm culpa
Palavras de amor
Pra pedir desculpas
Palavras doentias
Páginas rasgadas
Palavras não se curam
Certas ou erradas
Palavras são sombras
As sombras viram jogos
Palavras pra brincar
Brinquedos quebram logo
Palavras pra esquecer
Versos que repito
Palavras pra dizer
De novo o que foi dito
Todas as folhas em branco
Todos os livros fechados
Tudo com todas as letras
Nada de novo debaixo do sol

POR TITÃS...

sábado, 1 de maio de 2010

Que texto sou eu?


"... o texto que hoje eu sou". Não sei se foi um ato falho ou coisa do tipo, mas foi esta frase que me mais me marcou do excelente encontro que ontem a equipe com quem trabalho na Crescer teve com o jornalista Moisés Rabinovich. Ele foi contar suas histórias e falava de como ele e seu texto foram construídos em sua carreira. E por que o texto "É" ele? Por que é isso que acontece, ou deve nos acontecer: o texto de um jornalista deve nos acontecer.
O bate-papo, claro, foi permeado pela busca de um bom texto hoje. Ao falar da sua experiência como fundador do Jornal da Tarde, ele me jogou à final de infância e adolescência, quando este jornal habitava todos os dias a mesa de jantar da sala, todas as manhãs. Meu pai lia o JT e eu fui me interessando também. Não se naquela época ou somente depois, mas eu adorava os títulos com pontos, o jeito de contar as histórias. Era isso. Eu gostava do jeito de contar uma história. E até hoje é o que mais me atrai é o que chamamos de "personagens".
Quando vivi o projeto Bebês do Brasil - que se tornou um livro - lembro me de como acompanhar aquelas famílias às voltas de seu lindo bebê era um escrever constante. Cada louça lavada, fralda trocada, carinho na cabeça ou detalhe contado ali para mim, cada instante que a história comum daquelas pessoas se tornava um registro, eu me sentia escrevendo o texto. Ali já começa a busca pela palavra perfeita.
Meu primeiro grande guia de como escrever, o jornalista Milton Bellintani, uma disse em sala de aula que sofria toda a vez que sentava para escrever. Isto me marcou para sempre e não como uma condenação, mas como um alívio: para mim, escrever é sofrimento e aí está sua beleza. Só em sofrimento, só na busca da palavra que melhor vai expressar o elo entre a história "presenciada" e eu é que vou daquele texto meu. Só assim vou chegar ao "texto que eu sou".

Este bebê lindo é Cristian, do Rio Grande do Norte, um dos retratados no livro Bebês do Brasil, lançado pela Editora Globo, foto de Fernando Martinho, que viveu a história dele comigo