
Desde a infância ele foi a minha referência de beleza: os olhos tão azuis como eu nunca vira, o rosto que parecia ter sido esculpido por um grande artista. Ainda hoje olho e não acredito. Não parece verdade.
Os filmes dele sempre estavam na televisão de casa, para deleite de minha irmã, fanática pela estrela de Hollywood e de minha mãe, que a ensinou a paixão pelo cinema.
Também sempre foi a referência de um grande amor: soube cedo do casamento inquebrável dele com a atriz Joanne Wookward, a despeito das loucuras do mundo das celebridades.
Paul Newman era, claro, referência de atuação: sua beleza só acrescentava seu talento. Nos filmes, o ar de cafajeste, quase sempre bandido, unia uma qualidade à outra, para suspiro da mulherada em casa.
Ontem, passamos a tarde vendo uma lista quase infinita de filmes e os dele eram os primeiros a serem lembrados, os mais queridos. Sabíamos da possibilidade da morte, mas não que ela aconteceria no dia seguinte. Resta-nos, agora, rever seus clássicos e atuações, como fazemos desde que me conheço por gente.
Mesmo porque, poucas seqüências me dão tanto prazer de lembrar quanto a dele rodando na bicicleta em Butch Cassidy e Sundance Kid ao som de Raindrops Keep Falling On My Head, com BJ Thomas. E de sua gargalhada, o olhar repleto de charme, o suspiro da minha irmã. Tudo junto, nas boas memórias que a gente guarda bem e usa sempre.